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7 de Julho de 2022
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    Casa França-Brasil passa por processo de restauração

    Governo do Estado do Rio de Janeiro
    há 14 anos

    Por Ascom da Secretaria de Cultura

    Em processo de restauração, a Casa França-Brasil reabre, em 2009, com um novo perfil. As obras, orçadas em R$ 2,8 milhões, incluem a recuperação das fachadas e de toda a parte interna do imóvel, a ampliação da área disponível para exposições e outras atividades, além de reforma da parte elétrica.

    As transformações na Casa não serão apenas de ordem física. O perfil do imóvel, construído a pedido de D. João VI, será completamente modificado para atrair também um público mais jovem. O objetivo é fazer com que os novos visitantes circulem por lá com regularidade e encontrem ali o seu espaço, sem abrir mão dos tradicionais freqüentadores, que serão apresentados a novas manifestações artísticas. Entre elas, oficinas, mostras e eventos ligados à cultura urbana e propostas inspiradas na cidade e seus contrastes. A idéia é estimular trocas entre as diferentes disciplinas artísticas tradicionais e contemporâneas e entre artistas de origens sociais e geográficas distintas. Essa troca poderá acontecer por meio de exposições e atividades permanentes.

    Segundo a vice-presidente da Casa França-Brasil, Emmanuelle Boudier, o objetivo é que um dos prédios antigos da cidade possa abrigar projetos contemporâneos, sem esquecer a história e a influência do passado.

    - Utilizar um dos espaços mais antigos do Rio para abrigar o melhor da arte urbana de vanguarda pode parecer estranho, mas é com essas diferenças que desejamos brincar, pois acreditamos que a cultura abraça a influência do passado, a urgência do presente e nossas projeções para o futuro - afirma.

    A reabertura do centro cultural acontece em abril de 2009, com tudo novo para as comemorações do Ano da França no Brasil. No período de abril a novembro, a Casa vai abrigar e co-produzir diversos eventos com o objetivo de mostrar ao público a cara da cultura francesa da atualidade: plural, mestiça e de vanguarda.

    Sobre o Prédio

    A Construção

    Em 1819, D. João VI determinou a construção de um dos edifícios que foi palco de fatos importantes da História: a Casa França-Brasil. Foi projetado pelo arquiteto, integrante da Missão Artística Francesa, Grandjean de Montigny, para sediar uma Praça do Comércio. É o primeiro registro do estilo neoclássico no Rio de Janeiro, onde antes prevalecia o barroco.

    Praça do Comércio

    Em 13 de maio de 1820, aniversário de D. João VI, a Praça do Comércio foi inaugurada e logo se transformou em um importante centro onde circulavam comerciantes em ascensão, alguns deles com aspirações políticas.

    Quando D. João voltou para Lisboa, outros ventos sopravam em nossa costa, vindos da recente independência norte-americana e da Revolução Francesa. Às vésperas da partida do rei, em 1821, numa reunião à Praça do Comércio, o povo rebelou-se, solicitando, entre outras coisas, a promulgação de uma constituição liberal. A iniciativa foi gravemente reprimida pelas tropas reais, com a invasão do prédio e o ataque contra os amotinados.

    Nos dias que se seguiram, o Paço Imperial levou a cabo uma devassa sem precedentes na colônia, buscando os responsáveis, sem trégua. Em protesto, os comerciantes abandonaram a Praça e afixaram uma faixa dando-lhe um novo nome: Açougue dos Bragança . A repercussão do evento foi devidamente abafada pela corte. Em seguida, o prédio foi fechado, reabrindo mais tarde para sediar a Alfândega.

    Alfândega

    Menos de um ano depois, pressionado pela política interna e externa, D. Pedro I declarava a independência do Brasil. O imperador tratou logo de dar uma função ao belo prédio e o incorporou, em 1824, à Alfândega. O estamento oficial do prédio evitaria qualquer nova insurgência no local, ainda marcado pela revolta de 1821. Algumas adaptações foram feitas para diminuir os acessos ao prédio, que agora deveria ser mais fechado para proteger as riquezas que passavam por ali. Em 1852, iniciam-se as obras de remodelação, com projeto do arquiteto português Raphael de Castro.

    Depois de ser centro de comércio interno, o espaço tornava a ser um local de intercâmbio comercial, agora o centralizador de todas as mercadorias que chegavam ou partiam para o exterior. O porto do Rio era, então, o principal exportador da América do Sul. Com a inauguração do porto de Santos e o aumento da produção de café no interior paulista, durante o Segundo Reinado, a importância econômica da alfândega diminuiu e, em 1944, mudou-se para um novo prédio na Rua Rodrigues Alves, Centro do Rio de Janeiro.

    Tombamento

    O reconhecimento do valor artístico e cultural do prédio pelo D.P.H. A. N. (atual IPHAN) se deu em 1938, com a realização de um dos primeiros tombamentos do Rio de Janeiro. Contraditoriamente, após o tombamento e a mudança da Alfândega, o espaço foi usado como depósito dos arquivos dos bancos Italo-Germanicos - provavelmente, entre 1942 e 1952. Após passar por reformas, o local abrigou, de 1956 a 1978, o II Tribunal do Júri.

    A Casa

    No começo da década de 1980, surgiram as primeiras idéias de um aproveitamento cultural do prédio. Foi neste mesmo período que o IPHAN realizou uma das reformas mais completas que a casa experimentou, o que só fez aumentar o interesse pelo espaço. Várias propostas foram feitas até que, em 1984, Darcy Ribeiro, então Secretário de Cultura do Estado, articulou-se com Jack Lang, Ministro da Cultura da França, e iniciou as conversas para a restauração e a implantação de um centro cultural no local, destinado ao intercâmbio cultural entre Brasil e França.

    A Restauração

    A partir das plantas de Grandjean de Montigny, foram restabelecidas as linhas originais do prédio, com a remoção de 80% da estrutura de madeira, que ganhou reforço de concreto e aço. O piso original foi preservado e, em alguns pontos, foram aplicadas placas de granito. Das 24 colunas em estilo dórico, 14 receberam tratamento de concreto, mantendo a mesma aparência externa. A cobertura de vidro (clarabóia) foi reproduzida, segundo as indicações de Grandjean de Montigny. Duas colunas ao fundo da casa permaneceram como testemunho da pintura feita na época, buscando os efeitos de peças em mármore.

    Reforma e Inauguração

    A principal peça em exposição da Casa França-Brasil é o próprio interior do prédio. Com a reforma de 1985, ele recebeu um tratamento museográfico, ou seja, teve sua leitura e fruição conduzida e direcionada através da reformulação didática dos percursos, da criação de pontos de vista novos e de iluminação especial.

    Em 1989, o projeto de utilização do espaço, idealizado pelo museólogo francês Pierre Catel e pela equipe brasileira, toma sua forma definitiva. A Casa França-Brasil, como um espaço para múltiplas atividades culturais, é inaugurada em 29 de março de 1990.

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